Publicado por: laiomedeiros | maio 14, 2010

Sem sindicato

Não há sindicato de barbeiros em Vitória. Segundo Leônidas, houve tentativas no passado, “mas ficou na conversa”. O barbeiro de Jardim da Penha diz que sua aposentadoria poderia ser bem melhor se o objetivo de se estabelecer uma associação de sua “classe” tivesse se concretizado, e ele não precisaria estar trabalhando até hoje. Apesar de tudo, Lêonidas não se queixa de seus antigos patrões.

Segundo uma lista publicada no site Beauty Afair, existe, sim, o Sindicato dos Salões de Beleza do Espírito Santo (SINDIBEL). Há sindicatos fortes em outros estados, como o Sindicato dos Barbeiros, Cabeleireiros e Similares de Savaldor (SINDIBACSS), com direito a jornal e tudo o mais. Eles são bem menos generosos com os chefes.

Anúncios
Publicado por: laiomedeiros | maio 10, 2010

A máquina e a navalha

Crédito: i.s8

A máquina usada hoje pelos cabeleireiros e barbeiros é mais evoluída do que a primeira que chegou para substituir a navalha. “Mas, naquela época que surgiu, essa também era muito boa. Eu comecei a usar na década de 70.”, diz Leônidas.

 Hoje, se vê Cadence, Britânia e Phillips – entre outras marcas – na disputa pelos consumidores, com seus novos dispositivos: Lâminas em aço oxidável auto-afiadoras, ajustes de altura integrados, etc. Porém, a navalha ainda é usada, especialmente para cortar cabelos mais lisos, e nota-se que a  tesoura ainda é o instrumento mais utilizado no salão.

“Agora, cabelo duro, só na máquina mesmo!”, afirma o barbeiro.

Por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | maio 10, 2010

Cliente de peruca

 

Crédito: Absurdo Fantasias

Já passaram pelo salão do Leônidas figuras de todos os tipos. O barbeiro conta que um cliente argentino começou a vir no seu salão. Ele era bom cliente, pagava o corte em dia, mas só tinha uma esquisitice: não tinha cabelo e queria que Leônidas fizesse o corte de sua peruca.

“Ele queria que cortasse a peruca na cabeça dele mesmo. Era algo muito estranho, porque quase não dava para perceber que o cabelo não era dele”, conta o barbeiro.

Por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | maio 10, 2010

Massagem milagrosa

Crédito: mocho.weblog

Leonidas quase perdeu um cliente uma vez. “Era um italiano que estava ficando careca. Eu fiquei preocupado com aquilo. Resolvi fazer uma massagem capilar nele para manter os poucos fios que ele tinha e fazer crescer aqueles que já haviam sumido. Ele veio por um tempo no meu salão para receber as massagens. O resultado foi que o cabelo dele cresceu de novo.”

O barbeiro afirma que a história é verdadeira, e que ainda mantém contato com o cliente. “Ele é muito grato pelo serviço que prestei a ele e me manda cartas com fotos da Itália, até hoje”.

Por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | maio 10, 2010

A cadeira do salão

Crédito: solostock.com

Qualquer pessoa que pensar em montar seu salão deve dar atenção especial à cadeira que irá comprar para realizar o corte. Ela pode render muitos clientes, ou fazer com que eles não retornem nunca mais.

Leônidas afirma: “É uma parte muito importante do salão. A cadeira tem que ser boa, fazer o cliente se sentir confortável, e deve ser resistente para aguentar qualquer gordinho”. De acordo com o barbeiro, o preço desse tipo de cadeira pode variar. “Tem cadeira de 800 reais, de 1300 reais. Mas, é possível se conseguir uma boa por um preço acessível. A minha, por exemplo, eu tenho há uns 20 anos já.”

Por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | maio 10, 2010

Corte no Palácio

 

Palácio Anchieta. Crédito: Governo do Espírito Santo

Certa vez, o telefone tocou no Salão Garcia. O chefe do salão atendeu e, alguns minutos depois, chamou Leônidas para informá-lo: 

– Você cortará o cabelo do governador.

 – Eurico Rezende?, perguntou Leonidas.

– Sim, Eurico Rezende.

Seria uma experiência diferente. O barbeiro já havia cortado o cabelo de outras figuras políticas importantes (como já foi falado em post recente, neste blog), mas dessa vez, ele teria que ir ao Palácio do Governo para cortar o cabelo da autoridade máxima do estado. Sem dúvida, algo para ficar na memória de qualquer um.

“Eu me lembro bem daquela situação. O Palácio Anchieta era um lugar muito bonito, muito elegante, fiquei maravilhado quando entrei naquele lugar. Fui encaminhado à sala do governador, e logo ele se sentou para eu cortar o seu cabelo. Fiz isso na mesa onde ele realizava suas reuniões”, conta Leonidas.

“Era uma figura educada, porém de poucas palavras. Não o achei muito amigável. O que aconteceu foi que eu travei uma luta para cortar o cabelo dele, enquanto os vários telefones da sala dele tocavam e ele tinha que atender. No final das contas, consegui concluir meu serviço, mas ele nem agradeceu direito. E o pior: deu-me só 10 contos por meio de um garoto de recado ”, lembra o barbeiro.

“Eu falei para o meu chefe, ‘Eu nunca mais volto lá. Não dá para cortar cabelo assim, sendo interrompido a toda hora’. E, de fato, nunca mais voltei ao palácio do governo”.

por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | abril 26, 2010

Muita calma nessa hora

Leônidas é um senhor manso, que  faz de tudo para tratar seus clientes bem e fazê-los se sentirem à vontade. Ele afirma que, em todos esses anos de trabalho como barbeiro, foram poucas as vezes em que um cliente reclamou do corte realizado por ele. Mas, como não é possível agradar a todos, nosso amigo afirma que, há muitos anos atrás, um cliente causou contenda em seu salão.

– O rapaz era de fora do Estado. Chegou, sentou-se na cadeira no salão Galante, que ficava no centro da cidade, e pediu para cortar o cabelo. Comecei a preparar o corte: molhei o cabelo; peguei a máquina e a navalha. O sujeito então reclamou: “O que você tá fazendo, homem? Você é aprendiz, por acaso?”

Então, eu retruquei: “ O senhor é um mal educado, rapaz. De onde eu vim, as pessoas não tratam os outros dessa forma, não. Vá procurar outro salão aqui no centro da cidade, que é o melhor que você faz.”

– Eu ainda fui educado com ele, mas foi uma situação de tirar a paciência.

Leonidas pegou leve com o rapaz, mas, se aquele cliente mexesse com o barbeiro do longa metragem Sweeney Todd, mostrado no trailer abaixo, as coisas poderiam terminar de uma maneira mais violenta.

Por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | abril 26, 2010

Mudança para Jardim da Penha

Bairro de Jardim da Penha/ Crédito: Édson Reis

De acordo com Leônidas, a clientela não mudou muito do centro de Vitória para Jardim da Penha. Ele já falava com os clientes sobre a mudança antes de ela de fato se concretizar. “Eu já havia dado o meu endereço novo a todos eles, por isso, muitos iam ao salão do Leônidas, logo que ele inaugurou. Eles apreciavam o meu trabalho”, relembra o barbeiro.

 O crescimento imobiliário do bairro começou em 1969, quando seus primeiros conjuntos habitacionais  começaram a ser construídos. Posteriormente, na metade da década de 1970, surgiram pequenos conjuntos de apartamentos destinados à classe média. Somente no final daquela década foi que o barbeiro recém saído do centro da cidade começou a acompanhar o crescimento do bairro.

“Quando eu cheguei aqui, só existia o Banestes e o clube 106. O resto era tudo casa. Havia vários lotes vazios. Eu quase não tinha concorrência. Só funcionavam uns 4 salões além do meu. Era bem tranqüilo aqui. Depois proliferou de uma maneira incrível.”

Por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | abril 26, 2010

Cuidando do próprio cabelo

Carlos Valderrama, o craque famoso pela cabeleira

Muitos artistas, como Van Gogh e Rembrandt, produziam auto-retratos (pinturas ou gravuras de si mesmos). Talvez isso ocorresse por eles acreditarem que, se queriam um serviço bem feito, deveriam fazê-lo eles mesmos.

O corte de cabelo é uma arte diferente, e por isso, não vale a pena se arriscar.

Anos e anos de prática em diversos estabelecimentos: Salão Garcia, Salão Galante, Salão do Leônidas, entre outros. Muitos foram os cabelos para cortar, muitas foram as barbas para fazer. Mas, quem corta o cabelo de Leonidas não é ele. Quando questionado,o barbeiro logo responde:  “Dalvinha, minha colega, que trabalha aqui perto é quem corta o meu cabelo. Não pode ser qualquer um”

Será que o velho barbeiro é exigente? Ele insiste que não: “Eu falo com a Dalvinha: ‘corta só um pouco dos lados. Meu cabelo é pouco’. Mas, eu tento não reclamar muito. Eu cortava com um amigo meu, o Valírio, antigamente, mas ele não fazia direito.”

Se cortar cabelo é realmente uma arte, Leônidas é rigoroso e quer que seu corte seja uma obra prima.

Por Laio Medeiros

Publicado por: laiomedeiros | abril 26, 2010

Cada um com sua técnica

 

Leônidas diz que, há pouco tempo, desenvolveu uma nova técnica de corte de cabelo, que ele preferiu não revelar. Ele afirma que, com o passar dos anos, todo cabeleireiro acaba desenvolvendo a sua própria técnica. Mas, tome cuidado. Não faça como Johnny Depp, no filme Edward Mãos de Tesoura , do diretor Tim Burton, de 1990.

Por Laio Medeiros

Older Posts »

Categorias