
Palácio Anchieta. Crédito: Governo do Espírito Santo
Certa vez, o telefone tocou no Salão Garcia. O chefe do salão atendeu e, alguns minutos depois, chamou Leônidas para informá-lo:
- Você cortará o cabelo do governador.
- Eurico Rezende?, perguntou Leonidas.
- Sim, Eurico Rezende.
Seria uma experiência diferente. O barbeiro já havia cortado o cabelo de outras figuras políticas importantes (como já foi falado em post recente, neste blog), mas dessa vez, ele teria que ir ao Palácio do Governo para cortar o cabelo da autoridade máxima do estado. Sem dúvida, algo para ficar na memória de qualquer um.
“Eu me lembro bem daquela situação. O Palácio Anchieta era um lugar muito bonito, muito elegante, fiquei maravilhado quando entrei naquele lugar. Fui encaminhado à sala do governador, e logo ele se sentou para eu cortar o seu cabelo. Fiz isso na mesa onde ele realizava suas reuniões”, conta Leonidas.
“Era uma figura educada, porém de poucas palavras. Não o achei muito amigável. O que aconteceu foi que eu travei uma luta para cortar o cabelo dele, enquanto os vários telefones da sala dele tocavam e ele tinha que atender. No final das contas, consegui concluir meu serviço, mas ele nem agradeceu direito. E o pior: deu-me só 10 contos por meio de um garoto de recado ”, lembra o barbeiro.
“Eu falei para o meu chefe, ‘Eu nunca mais volto lá. Não dá para cortar cabelo assim, sendo interrompido a toda hora’. E, de fato, nunca mais voltei ao palácio do governo”.
por Laio Medeiros